sexta-feira, 10 de julho de 2015
Cinema no Arquivo - O Ilusionista, de Jos Stelling, e as duas faces da loucura no cinema
Na próxima semana, dia 16 de julho, às 18h30min, no Auditório Marcos Justo Tramontini – APERS, o Cinema no Arquivo exibirá o filme O Ilusionista, do diretor holandês Jos Stelling. Produzido em 1984, foi o grande vencedor do Prêmio do Público da 9ª Mostra de Cinema de São Paulo, em 1985. É um desses filmes que deve ser revisto de tempos em tempos, pois a cada observação mais se absorve das imagens, fazendo surgir novas impressões e interpretações devido à sua subjetividade.
O Grupo Dimensão Experimental apoia esta iniciativa do APERS, que apresenta filmes de alta qualidade proporcionando ao público, a possibilidade de ver películas que não estão no circuito neo-liberal e comercial dos Shopping Centers.
Não perca a possibilidade de viver esta experiência e venha assistir este inusitado filme. Logo após, haverá um debate com a filósofa Doutora Ana Carolina da Costa e Fonseca, professora de Filosofia na Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e de Filosofia do Direito na Faculdade do Ministério Público (FMP).
Outra novidade, é que o APERS e o Hospital Psiquiátrico São Pedro realizarão uma exposição dos trabalhos artísticos produzidos por três integrantes da Oficina de Criatividade da instituição sob coordenação da professora Barbara Neubarth.
Confira a sinopse:
Vencedor do Prêmio do Público da 9ª Mostra, esse drama, com toques de humor, narra a vida de dois irmãos, que vivem em uma região pacata da Holanda. Um deles sonha com as luzes da ribalta e com a possibilidade de ser um ‘show-man’. O outro, deficiente mental, se satisfaz com sua rotina tranquila, cômoda, onde possa ser apenas o que é. Numa analogia à história de Caim e Abel, o roteiro mostra a inevitabilidade dos conflitos entre os dois para que possam realizar seus respectivos desejos. Sem diálogos, o roteiro exprime com brilhantismo o mundo desses dois irmãos, marcado pelos sussurros, grunhidos e lamentações.
A entrada é franca e não exige inscrição prévia. Venha prestigiar mais um evento cultural do APERS!
Participe!
O Ilusionista, de Jos Stelling, e as duas faces da loucura no cinema
O Ilusionista, filme do diretor holandês, Jos Stelling, produzido em 1984, foi o grande vencedor do prêmio do Público da 9ª Mostra de Cinema de São Paulo. É um desses filmes que deve ser revisto de tempos em tempos, pois a cada observação mais absorvemos das imagens, fazendo surgir novas impressões e interpretações devido á sua subjetividade.
Sem diálogos, esta obra-prima da interpretação apresenta apenas som ambiente, vozes disformes, grunhidos etc. A música contribui com uma atmosfera tanto de forma diegética (quando o público e os personagens a ouvem) quanto não diegética (apenas o espectador a escuta) ou metadiegética (reforçando, em alguns casos, algum clímax ou elementos psicológicos de um personagem).
O trabalho de imagens é de tal forma sinalético e bem-apresentado que qualquer tentativa de explicar o que acontece na tela, por meio de palavras, tiraria toda a carga dramática e simbólica que norteiam as cenas. Encontramos salmos bíblicos em placas de ônibus, mensagens subliminares nos cenários, objetos com significados figurados, um outdoor cujo anúncio narra os sentimentos do personagem, linguagens corporais eficientes, gestos e expressões que nenhuma palavra poderia substituí-los de modo a representar melhor e mais fielmente o andamento da história.
Ao abordar duas possíveis faces da loucura, a do artista que é incompreendido na sociedade, pois não se enquadra nos supostos padrões de normalidade, e a do doente mental, cujo preconceito e intolerância segrega, Stelling aproxima-se de Michel Foucaut em sua obra “A História da Loucura”, em que descreveu o fenômeno da loucura desde o Renascimento até a Modernidade, demonstrando o processo pelo qual o louco foi perdendo, com o advento da psiquiatria e da higienização social, sua identidade e sua cidadania, não sendo dono de seu próprio pensamento e comportamento. Wilhelm Reich, em “O Assassinato de Cristo”, descreve esta mesma sociedade como uma prisão onde o louco seria aquele que viu a saída da prisão e não conseguiu superar o pavor comum de se aproximar dela.
Em O Ilusionista, cada cena é precisamente medida e explorada através da linguagem não verbal, como uma aula de comunicação universal. Este filme resgata parte da magia do cinema silencioso, indo muito além do que simplesmente contar uma história, questiona os parâmetros da dita normalidade de uma maneira nunca antes retratada em uma película.
Por: Klaus Farina – Músico, Compositor, Historiador, Produtor e Técnico Em Assuntos Culturais
quinta-feira, 9 de julho de 2015
O Golem no Clube de Cultura hoje
Dando continuidade ao projeto Cinema Livre, hoje no Clube de Cultura, rua Ramiro Barcelos 1853, vai ser apresentado, a partir das 19h30min, um clássico do cinema expressionista alemão da década de 1920. A entrada é franca.
O expressionismo alemão foi um estilo cinematográfico cujo auge se deu na década de 1920, que caracterizou-se pela distorção de cenários e personagens, através da maquiagem, dos recursos de fotografia e de outros mecanismos, com o objetivo de expressar a maneira como os realizadores viam o mundo.
O grupo Dimensão Experimental apoia mais esta iniciativa do Clube de Cultura. Abaixo reproduzimos uma excelente matéria produzida e publicada por Rogério de Moraes, repórter, redator e crítico de cinema no Blog Eu Cinema.
O Golem (1920)
Considerado uma das obras fundamentais do cinema expressionista alemão, “O Golem” é um filme que preserva grande parte de sua força até os dias atuais. Produzido em 1920 e dirigido pela dupla Paul Wegener e Carl Boese, impressiona pela fotografia e pela ousadia em seus efeitos especiais.
Vem da mitologia judaica a lenda do Golem. Uma criatura de pedra ou de cera com grande força e poder. Essa criatura pode ser “despertada” através de rituais de magia e servir ao povo judeu como seu protetor.
No filme de Wagener e Boese, uma comunidade judaica, da cidade de Praga, é ameaçada por um decreto do imperador. O respeitado Rabbi Loew, conhecido por ser um poderoso feiticeiro, recorre à antiga magia para dar vida à criatura Golem, na tentativa de salvar seu povo da desgraça.
Para realizar seu feito, Loew recorre às forças das trevas. Na ânsia de realizar a magia, ignora os riscos de se lidar com forças tão instáveis. Consegue dar vida á sua criatura. Realizado o feito, segue com ela até o palácio do imperador. Busca impressionar monarca e convencê-lo a voltar atrás em seu decreto.
Para muitos, “O Golem” é o mais antigo filme de monstro preservado até hoje. Existiu uma versão anterior, dirigida por Wegener em parceria com Henrik Galeen em 1915, mas esta não sobreviveu até os dias atuais. Nesta versão de 1920, os recursos empregados em algumas cenas são de uma qualidade e criatividade rara para a época.
Os efeitos da sequência em que Loew evoca as forças sobrenaturais são muito bem trabalhados e criam uma convincente atmosfera de magia. Em outro momento, quando o Rabbi conta a história de seu povo para a corte do imperador, através da mágica, abre-se uma janela sobreposta com imagens do Êxodo. Este efeito cria um resultado impressionante que muitos filmes atuais não conseguem criar.
Não são apenas os efeitos visuais que impressionam em “O Golem”. O filme possui também um roteiro de ótima qualidade, com suspense e reveses na trama. O fato de a criatura, em determinado momento, não mais obedecer a seu criador ao tomar consciência de sua existência, é um elemento que enriquece a trama. O resultado disso é a inevitável tragédia.
“O Golem” dialoga diretamente com “Frankenstein”, de Mary Shelley, clássico da literatura inglesa. Os desdobramentos do filme levam a uma reflexão sobre as consequências de se evocar forças sobrenaturais. Também não deixa de ser uma metáfora dos riscos de se “brincar” de Deus, dando vida a algo inanimado, exatamente como no livro de Shelley. No filme, a referência bíblica fica evidente pelo fato de o Golem ser feito de barro.
No final, o mal maior é evitado pela mais improvável das forças. É através da ingenuidade de uma criança que ele será detido. Um desfecho que guarda em si uma notória poesia.
“O Golem” é um filme que precisa ser resgatado e valorizado. Quando se fala em cinema expressionista alemão, são sempre as mesmas obras levantadas como clássicas. É claro que filmes como “Nosferatu”, “O Gabinete do Dr. Caligari”, “M - O Vampiro de Dusseldorf”, são obras memoráveis e grandiosas, importantíssimas para história e evolução da linguagem do cinema. Por outro lado, é sempre importante lembrar que esta fase áurea do cinema alemão não se resume a esses filmes. “O Golem” é um bom exemplo disso.
POR: ROGÉRIO DE MORAES http://blogeucinema.blogspot.com.br/2011/01/o-golem.html
sexta-feira, 26 de junho de 2015
Cinema no Arquivo - Curta no Almoço com Man Ray, Luis Buñoel e Salvador Dali
No próximo dia primeiro de julho de 2015, no APERS, rua Riachuelo 1031, ás 12 horas, com entrada franca, vai acontecer mais uma edição do projeto Cinema no Arquivo - Curta no Almoço, apresentado três filmes experimentais dos anos 1920, do movimento avant-garde, os trabalhos surrealistas de Man Ray, Luis Buñoel e Salvador Dali.
Após os horrores da primeira guerra mundial, ocorreu uma grande mudança de comportamento, a vida passou a ser mais valorizada em seus detalhes.
Um grupo variado de intelectuais, que desde a década anterior, vinha tentando se estabelecer, emergiu propondo novas formas de se fazer arte, provocando rupturas com o passado na música, literatura, nas artes plásticas, no teatro e no cinema. No cinema, eclode o movimento avant-garde, propondo um cinema desvinculado das narrativas tradicionais. O objetivo era muitas vezes chocar o público. Man Ray fez isso com Le Retour a La Raison de 1923. Um filme de pouco mais de 2 minutos, onde aparecem fotogramas de pregos em negativo, misturado a molas , batatas, papeis e outros elementos criando um visual bizarro e abstrato, onde a unica imagem humana é uma mulher com o dorso nu e com os seis a mostra. O resultado, foi uma enorme vaia e a interrupção do filme antes do fim do primeiro minuto de projeção. Talvez, pensando nisso, Man Ray produziu em 1926, Emak Bakia (em basco: deixem-me em paz), um marco do cinema avant-garde dos anos 1920. Man Ray faria em 1928, L'Étoile de Mer e em 1929, Les Mystères de Château de Dé, outros dois grandes trabalhos. Na mesma época (1929), Luis Buñoel e Salvador Dali estrearam "Um cão Andaluz", outro marco do cinema surrealista. Apropriando-se de metáforas, arquétipos psicanalíticas e simbolismos, Buñoel e Dali criticaram a sociedade burguesa atacando o conservadorismo e a religião.
O grupo Dimensão Experimental musicou "Les Mystères de Château de Dé" de Man Ray, com uma suíte em seis movimentos, denominada "Os Mistérios do Castelo de Dados" e o performou ao vivo em várias ocasiões.
O grupo Dimensão Experimental, cujo projeto "Música, Cinema e Memória" que tem como objetivo o resgate e uma releitura da linguagem do cinema silencioso, apóia este projeto do APERS.
Man Ray – Emak Bakia (1926 – França) 16 min.
Emak Bakia (1926, França), que em basco significa “Deixe-me em paz”, é um cine poema surrealista, livre dos dramas psicológicos ou policiais do cinema, que vê e monta o que vê, que faz montagem desde o instante em que seleciona o fragmento que vê, além do imediatamente visível, do que pode ser percebido pelo olho humano. Filmar ideias, não objetos, filmar a luz e o movimento, e não propriamente o que está iluminado e se movimenta. Man Ray não tinha a intenção de reproduzir o mundo tal qual ele é, senão o de reinventá-lo, ou mais precisamente o de reinventar o olhar e permitir que a vida fosse vista tal como ela é, todo o tempo em movimento, a vida que se vive primeiro em sonho e, depois, na realidade, ou a que se vive primeiro na realidade e depois em pesadelo.
Man Ray - Les Mystères de Château de Dé (1929 – França) 20 min.
Les Mystères du Château du Dé (1929, França) é um filme surrealista, um jogo pitoresco improvisado de Man Ray, em um período que esteve hospedado no Castelo do Conde de Noailles. O filme retrata dois viajantes que estão indo de Paris a Villa Nailles, em Hyères. A jornada começa quando os dois personagens mascarados em um café, à noite, decidem suas ações nos dados. As mãos são de manequim e os rostos sem detalhes. Em seguida, a dupla parte em busca de seu destino, viajando pelo interior da França, chegando a um Castelo moderno com partes antigas. Elementos do exterior e do interior do castelo são apresentados na relação de várias texturas, mostrando inclusive esculturas de Pablo Picasso e Joan Miró, assim como um jardim cubista em Vila Noailles. Finalmente, somos apresentados a quatro invasores que, jogando os dados, renunciam a sua sorte indo para uma piscina coberta, fazendo malabarismos até sumirem na tela. O movimento da câmera externa mostra os dois viajantes chegando ao local, novamente jogando os dados e se preparando para passar a noite, levando o filme a um final abrupto. Les Myteres du Château de Dé foi o filme mais longo que Man Ray dirigiu em sua carreira.
Luis Buñuel e Salvador Dali – Um Cão Andaluz (1929 - Espanha) 21 min.
Um Cão Andaluz (1929, Espanha), representa o vislumbrar de um novo conceito de cinema, de luz sobre a arte em geral. Apenas alguns minutos contam (ou desestruturam) a história de um casal por meio de uma visão onírica, por vezes cruel, profundamente psicanalítica, mas sobretudo vanguardista da sétima arte.
Seu roteiro não é linear e tampouco a prima facie parece fazer algum sentido lógico. Como em um emaranhado de cenas que parecem não ter qualquer ligação entre si, o filme transita entre o real e o imaginário, entre o concreto e a fragmentação. Uma visão da sociedade pós-guerra da época e de seus elementos humanos.
Texto e releases: Klaus Farina
Dimensão Experimental ao vivo na sala de cinema Eduardo Hirtz (CCMQ) em 2012.
quinta-feira, 25 de junho de 2015
Hoje tem Buster Keaton no Clube de Cultura.
Hoje ás 19 hora vai rolar mais uma edição, com entrada franca, do Cinema Livre no Clube de Cultura, rua Ramiro Barcelos, 1853. Na programação, vários curtas dos anos 1920 de Buster Keaton, "o cômico que nunca ria". O grupo Dimensão Experimental apoia esta iniciativa do Clube de Cultura.
sexta-feira, 19 de junho de 2015
Stan Brakhage no Cinema no Arquivo - Curta no Almoço
Na próxima quarta-feira, dia 24 de junho, a partir das 12h, teremos o Curta no Almoço com projeção do filme Unglassed Windows Cast a Terrible Reflection (1953 – EUA), de Stan Brakhage, no Auditório Marcos Justo Tramontini do Arquivo Público do RS. O grupo Dimensão Experimental apoia mais esta edição do projeto Cinema no Arquivo do APERS.
A entrada é franca, venha prestigiar!
Sinopse: Uma anatomia da violência. Seis jovens, quatro rapazes e duas moças viajando num carro em uma estrada deserta. Há uma rivalidade entre dois caras para uma das moças. Em uma estrada remota, o carro para próximo às ruínas de uma antiga mineradora. O motorista sai a pé tentando pegar carona até a localidade mais próxima para buscar ajuda no conserto do carro. Liderados pela moça que despertou a rivalidade entre os dois rapazes, os outros caminham em direção aos prédios abandonados da mineradora. Um dos três rapazes senta e lê. A moça que lidera o grupo explora o edifício e vê algo que a assusta. Ela grita; os dois rivais e a segunda moça correm para encontrá-la. Ela diz algo que provoca uma briga entre seus dois pretendentes. O rapaz com o livro se afasta desapontado com a reação dos dois amigos. O que se segue são momentos angustiantes que leva a um clímax. Neste trabalho, Brakhage explora de maneira experimental as possibilidades psíquicas que um filme em preto e branco pode expressar por meio de uma trama em que o suspense emerge a cada instante, fazendo uso competente de ângulos da câmera em contraste com as sombras, em grande estilo.
STAN BRAKHAGE
Um dos grandes ícones do cinema experimental mundial, Stan Brakhage (1933 – 2003) nasceu em Kansas City, Missouri em 14 de janeiro de 1933. Ele estudou no Instituto de Belas Artes de San Francisco em 1953. Em 1958 ele se casou com Jane Collum, com quem teve cinco filhos.
Brakhage começou a trabalhar em 1937, quando ele cantava e tocava piano até 1946. Ele se apresentava fazendo programas de rádio ao vivo e em gravações. Em 1952, com 19 anos abandonou a faculdade e começou a fazer filmes. Desta época destacam-se dois grandes filmes: Interim (1952) e Unglassed Windows Cast a Terrible Reflection (1953), ainda utilizando-se de um enredo tradicional, porém já apontando para o cinema experimental como o uso criativo da câmera e de ângulos sobrepostos contrastando sombras e luz no preto e branco de seus filmes. Ele trabalhou em um pequeno teatro em Central City, Colorado, onde encenou Wedekind e Strindberg. Em seguida viajou para San Francisco e conheceu os poetas Kenneth Rexroth, Kenneth Patchen, Michael McClure, Robert Duncan, Robert Creeley e Louis Zukofsky. Estas foram algumas das pessoas de vanguarda que iriam influenciá-lo nos próximos anos. Em 1954, Brakhage foi para Nova York, onde conheceu o compositor John Cage. Ele então estudou informalmente com outro compositor, Edgard Varese. Em Nova York, ele se familiarizou com cineastas de vanguardistas como: Maya Deren, Marie Menken, Willard Maas, Jonas Mekas e Kenneth Anger. Em 1955, ele conheceu e fez um filme com Joseph Cornell. Em 1956, trabalhou com Raymond Rohauer em Los Angeles. Também fez sua primeira palestra pública sobre cinema no teatro do Rohaver. Entre 1956 e 1964 Stan Brakhage trabalhou em muitos projetos de filmes experimentais e industriais, incluindo comerciais de televisão.
Jane Collum tornou-se a esposa de Brakhage, em 1957. Ela também se tornou a inspiração para a mudança de estilo dos filmes de Brakhage. Em 1958, foi para o festival de cinema de Bruxelas e viu os filmes de Peter Kubelka e Robert Breer. A partir de 1960, começou a apresentar seus próprios filmes em público quando então, também palestrava sobre suas próprias obras e de outras pessoas.
Com o roubo de seu equipamento de 16 milímetros em 1964, concentrou-se na produção de filmes de 8 milímetros até 1969. Seus trabalhos mais importantes neste período são:, The Art of Vision e Dod Star Moon concluídos em 1964. Na Universidade de Colorado em 1969, Brakhage lecionou na estética e história do cinema. Ele começou a ensinar em 1970 na Escola do Instituto de Arte de Chicago. Ele ensinou lá até 1981. Em 1974 Brakhage completou seu grande filme abstrato "O texto da Luz". Em 1976, o seu trabalho voltou para o uso do Super 8 mm. Em 1981 Brakhage começou a ensinar na Universidade de Boulder, Colorado. Mais tarde, ele se divorciou de Jane em 1986. Ele então se mudou para Boulder e se casou com Marilyn, sua segunda esposa.
Brakhage é "considerado como o mais notável cineasta experimental do mundo." Em 1986 Brakhage recebeu o primeiro prêmio do American Film Institute para os artistas de cinema e vídeo independentes (o "Maya Deren Award"). Faleceu em 9 de março de 2003 aos 70 anos. Ao todo Stan Brakhage fez mais de 300 filmes experimentais.
Por Klaus Farina
quarta-feira, 10 de junho de 2015
É amanhã, 11/06/2015, Cinema Livre no Clube de Cultura com Buster Keaton, o cômico que nunca ri
Amanhã no Clube de Cultura, rua Ramiro Barcelos 1853, com entrada franca, vai acontecer mais uma sessão do projeto Cinema Livre com um festival de filmes de Buster Keaton. Este projeto e o Cinema no Arquivo do APERS são boas opções para os amantes da sétima arte e para aqueles que tem curiosidade de assistir filmes fora do circuíto comercial dos shopping centers (antigamente se fala em centros comerciais mas agora...depois do neo-liberalismo...bem, é melhor parar por aqui).
O grupo Dimensão Experimental vem apoiando estas iniciativas por entender que há sim espaço para se poder assistir um bom filme sem os clichês hollywoodianos que vem infestando as salas de cinema no mundo.
Abaixo transcrevemos um texto escrito por Fernando Camargo falando um pouco da vida e obra deste extraordinário artista.
Nascido no coração do teatro de vaudeville*, Keaton começou sua carreira artística participando com seus pais, num número chamado Os Três Keatons, em que a grande piada era o desafio dos pais em disciplinar uma criança mal-educada: algo que nos remete à antiga questão de saber se é a arte que imita a vida ou a vida que imita a arte.
No caso de Buster, percebemos que a vida imitou a arte e sua jornada fluiu naturalmente, entre tombos, quedas, sustos e várias características comportamentais tão naturais a qualquer criança. Tornou-se um dos maiores artistas e humoristas do cinema mudo e de sua época.
Aos 21 anos de idade, com o encerramento da carreira de seu pai (que se tornara alcoólatra), Buster rendeu-se à atração que tinha pelo cinema e mudou-se para Nova Iorque. Lá, encontrou um antigo companheiro, o ator Roscoe "Fatty" Arbuckle, que o convidou para trabalhar no filme "The Butcher Boy" (O Menino Açougueiro).
O sucesso desta dupla cômica foi tão grande que logo foram convidados para estrelar uma sucessão de onze comédias. Keaton passou a escrever seus próprios esquetes e a trabalhar como assistente de direção nos filmes de que participava. Logo passou a escrever seus próprios filmes.
Em 1920 Buster começou a dirigir seus primeiros curtas. Tornou-se um ator de muitos recursos e de impressionante presença cênica.
Mas a característica que ficou para sempre associada a Keaton, uma de suas grandes inovações, é o fato de sua comédia se basear num personagem impassível, que mantém as mesmas feições diante dos fatos ocorridos. Isso explica os apelidos dados a ele pelos críticos: "O grande cara de pedra" e "O homem que nunca ri". Buster percebeu que, ao não modificar sua expressão, o espectador projetaria nele suas aspirações sentimentais, sensoriais e morais.
Foi em 1928 que Keaton cometeu o que ele mesmo considerou ser o seu "grande erro": vendeu seu estúdio de produção para a MGM. Buster - que era o "destruidor" - tornara-se um mero ator assalariado, sem nenhuma independência artística. Obrigado a adaptar-se ao esquema de produção, Keaton envolveu-se com o álcool, tal como o pai fizera antes.
Há quem diga que foi por perder o controle sobre o conteúdo criativo de seus filmes e por ter que aceitar roteiros impostos pelo estúdio que a poesia existente no coração de Keaton se apagou.
Buster passou a década de 1930 em relativa obscuridade, escrevendo gags (corridas, quedas, fugas) para vários filmes, inclusive alguns dos Irmãos Marx, como "Uma Noite na Ópera" e "No Circo". Também fez aparições em filmes como "Crepúsculo dos Deuses", de 1950, e "Mundo Maluco", de 1963.
Um dos momentos mais significativos da sua carreira de ator aconteceu em 1952, quando participou do filme de Charles Chaplin "Luzes da Ribalta". Nele, Keaton e Chaplin fazem um número de dez minutos em dueto - dois velhos atores de "vaudeville" tentando resgatar os bons tempos.
Em 1965, poucos meses antes de sua morte, Buster Keaton protagonizou o único filme realizado pelo teatrólogo Samuel Beckett, chamado simplesmente "Filme".
Além de trenzinhos de brinquedo, o que mais atraía Buster Keaton era representar. Foi o que fez até 1966, quando morreu vítima de um câncer no pulmão.
POR FERNANDO CAMARGO
Fonte:
http://obviousmag.org/archives/2011/05/buster_keaton_-_vida_e_obra.html
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Cinema no Arquivo - Curta no Almoço com filmes de Alice Guy Blanche
Na próxima quarta-feira, dia 10 de junho, a partir das 12 horas, o Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS), rua Riachuelo 1031, apresenta mais uma edição do projeto Cinema no Arquivo - Curta no Almoço com projeção da coletânea de curtas produzidos entre 1896 e 1906, por Alice Guy. A entrada é franca, venha prestigiar!
Esta mulher, nascida na França em 01 de julho de 1873 e falecida em 24 de março de 1968, é considerada pioneira e visionária do cinema por ser a primeira mulher a dirigir e escrever filmes experimentais, documentários e ficção narrativa.
Nos dez primeiros anos da história do cinema ainda não havia estrutura narrativa ou estilística para a realização dos filmes, muitos gêneros surgiram e desapareceram, e os exibidores contavam com auxílio do comentador para garantir a compreensão por parte da plateia. Este período ficou conhecido como cinema de atrações. Neste contexto, Alice Guy-Blaché iniciou sua carreira cinematográfica trabalhando para Léon Gaumont, para quem produziu, roteirizou e dirigiu filmes curtos e phonoscènes, entre 1896 e 1907.
Entre 1896 e 1920, Alice Guy dirigiu mais de quatrocentos filmes, produzindo outros mais, que incluíam efeitos sonoros sincronizados e uma infinidade de outros recursos. Também foi a primeira, até agora única, mulher a dirigir o próprio estúdio, o Estúdio Solax (Fort Lee, Nova Jersey), entre 1910 a 1914.
Alice Guy Blache começou como secretária de Leon Gaumont, que trabalhava para um fabricante de máquinas fotográficas. Quando a empresa que trabalhavam ameaçou falir, Gaumont comprou, junto com outros, o inventário e formou em 1895 a Gaumont Film Company, uma das mais importantes empresas de cinema do mundo. Como responsável pela produção, Alice mostrou um trabalho inovador na utilização de cor, som e efeitos especiais que veio a criar o que é considerado o primeiro filme narrativo da história do cinema: “La Fée Aux Choux”, de 1896.
Ao longo de mais de 20 anos de carreira, Alice inseriu em seus filmes situações e histórias particulares do universo feminino para questionar as obrigações sociais das mulheres, lançando mão de roteiros polêmicos que continham homossexualismo, travestismo e a liberdade da mulher em conduzir seu próprio destino.
O grupo Dimensão Experimental apoia mais esta iniciativa do APERS.
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